03
Dec

Brasileiro sabe fazer humor, não faz por preguiça

Um post com vídeos engraçados, crítica mal-humorada e desfecho sem explicação. A pseudo-receita da fama.

Antes de escrever um post eu sempre tenho medo do título que ele vai ter, esse é um deles.

Se você gosta de algum quadro de humor em qualquer programa desses, se gosta de algum vídeo engraçado no youtube, cuidado! Ele pode ser mais uma obra da Tv Carbono. Eu cansei de ver gente se dando bem com a criação alheia. Nesse texto sobre o CQC eu mostrei que o programa é bom, mas nem tão bom assim quanto o original argentino. Porque sempre alguém tem que repetir “fórmulas de sucesso“? O que está vingando sempre é copiado

Quando conheci o Zenas Emprovisadas e o Improvável (Cenas Improváveis) eu pensei, “o que mais eles vão copiar, meu Deus?” Vou explicar. Em 1988, no Canal 4 da tv britância, surgia um programa inovador, um programa sem roteiro e sem ensaios, um programa feito de improvisos, onde o que importava eram as sugestões da platéia. Um programa que jamais se repetiria no outro dia, afinal eram cenas criadas e encenadas naquele mesmo instante para aquele único momento. Era o Whose Line Is It Anyway, um game-show no qual os convidados tinham que fazer improvisações de comédia dirigidas pelo apresentador do programa. Se estendeu até 98, quando a tv amerianca ABC Family comprou os direitos e transformou em uma série de comédia com uma versão americana e outra britânica.  Durou até 2006.

E para quê essa raiva toda das versões brasileiras? Mas quem disse que são versões? São copias. Dando uma olhada no site Zenas Emprováveis, você encontra a explicação do programa:

O projeto Zenas Emprovisadas (Z.É.) é em sua essência um espetáculo de humor.(…)

(…)Por se basear na improvisação, nunca se repete e interage com o público, que se sente parte integrante do espetáculo(…)

No site, de uma maneira bem escondida e só para os que realmente gostam de ler (tá, exagerei), você vai encontrar depois de ler todos os menus do site a história de como surgiu a “idéia“:

Ficamos de blábláblá até às três da manhã, quando, indo comer no Bobs, alguém falou “a gente podia esquecer tudo isso e fazer um negócio que nem Whose Line Is It, Anyway? (…) Reiniciamos a reunião, eu carreguei meu caderno para a Lanchonete, mostrei o projeto pra eles e dei as folhas para o Rafael Queiroga (que em seguida as queimou como se de um crime fossem provas) para que ele batesse o projeto definitivo. Escolhemos os jogos, e começamos a treinar.

Assim nasce uma cópia perfeita(ou não) e os caras vão levando numa boa, fazendo o trabalho e ganhando dinheiro. Muito dinheiro! Sim, pois depois que a Globo descobriu o Stand-up Comedy esse ano, agora todo mundo quer ser humorista. Todo mundo sai exagerando fatos do cotidiano, transformando em texto e subindo no palco. Você pode dizer que boa parte da programação na tv brasileira é fruto de cópias descaradas, claro, mas quem disse que esquetes de teatros também não são?

O Improvável também tem um site (no fim do post eu deixei os links) com a agenda de shows e explicando como surgiu o espetáculo.

Criado, produzido e encenado pela Cia. Barbixas de Humor, o espetáculo “Improvável” é um projeto de humor baseado em improvisações no qual a platéia tem fundamental importância para criação das cenas. O espetáculo tem muita influência do programa “Whose Line is it Anyway?”.

Criado é o escambal, tanto o Z.É como o Improvável são cópias feitas depois dos anos 2000. O espetáculo Z.É foi o pioneiro aqui, ganhando até o Prêmio Shell de Teatro em 2004. Já o Improvável com menos de um ano já é um dos espetáculos de improvisação mais conhecidos no Brasil, graças ao Youtube e ao Rafinha Bastos (lê-se Homem-Youtube) chamado para ser uma espécie de apresentador.

Vamos para o que interessa, assista e compare:

Whose Line is it Anyway – Change (legendado).

Agora o Improvável – Troca.

A cena com o chapéu cheio de sugestões.

A cena de Z.É com a caixa cheia de sugestões.

Alguns jogos estão simultaneamente nas duas companhias teatrais.

Esse post não é para mostrar que eles são ruins, pelo contrário, os brasileiros sabem fazer humor. O atraso só está em criar e inovar, aqui ninguém se importa com cópias, a massa (o povão) consome tudo como uma novidade. Ainda não vou falar aqui sobre humor inteligente, mas apenas das cópias. O enxame de novos humoristas confunde até quem acompanha de perto. Tirando o Rafinha Bastos, eu não sei quem é daquela companhia e quem daquela outra. Virou moda ser Stand-up Comediante e ninguém me avisou? Onde eu pego minha senha? Chico Anysio deve estar com gastrite nervosa nesse exato momento.

Quem ama, realmente copia? Pelo visto sim. Ora, quer exemplo melhor que assinar vários blogs e perceber as kibadas entre um e outro? Amor entre blogueiros é tão lindo (NÃO).

Acesse:

http://www.zenasemprovisadas.com.br

http://www.improvavel.com.br

UPDATE: Antes que me venham com chorumelas, recentemento o Cardoso falou sobre “humor”, mas o texto que você acabou de ler estava agendado. O update já é uma edição do post.

4 Responses to “Brasileiro sabe fazer humor, não faz por preguiça”

  1. Barba você é um grande crítico cara, continue com estes escritos de qualidade… Quanto ao Whose Line is it Anyway, it´s copy and past tv… lol… :doh:

  2. Obrigado pelas palavras Rei!

  3. chelsea says:

    donalds…

    donalds…

  4. house says:

    big…

    hotel…

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