
Você pode ouvir as 13 canções que eu selecionei para o álbum fictÃcio "A melancolia de John Frusciante" na continuação do post.
Como deu pra perceber, resolvi postar todas as colunas do blog de uma vez (perceba a numeração no tÃtulo dos posts). Um novo vÃcio da semana não sai faz tempo e olha que música é um dos assuntos que eu mais gosto de escrever. John Frusciante apareceu aqui pela primeira vez no post Óculos nerds são sempre mais legais, ganhando na eleição que fiz com a enquete “Quem melhor usa óculos nerd com estilo”. A enquete saiu do ar depois que 60 pessoas responderam.
Conheci o trabalho solo do guitarrista da banda Red Hot Chilli Peppers (RCHP) em 2004. Mal sabia eu que aquele ano ainda seria o maior e o mais produtivo na vida de John. Mais antes, vamos voltar alguns anos.
John nasceu em Nova York, em 1970 e se mudou bem pequeno para a Califórnia onde viveu o american way life regado com skate e punk rock. Aos 16 anos ele se muda para Los Angeles já pensando em seguir carreira de músico. Reza a lenda que John começou a tocar com 9 anos, mas a versão oficial aceita pelos fãs é de 11 anos. Depois de ir ao primeiro show do RCHP, ele passa a ver Hillel Slovak (o guitarrista original da banda) como um Ãdolo, assim os pimentas tinham um grande fã (já que na época a banda não era famosa) e que mais tarde se tornaria a base de toda a criatividade da banda.
O ano fatÃdico para a banda foi 1988 com a morte de Slovak. Aquele ano seria o pior e ao mesmo tempo o melhor para o grupo. Um baterista amigo de John convidou Flea (baixista do RCHP) para tirar um som (expressão para ensaiar, tocar junto ou apenas fazer barulho). A quÃmica entre o baixista e o guitarrista foi notável. Quando Flea chamou Anthony Kiedis (vocalista do RCHP) para ouvir John tocar eles decidiram que aquele garoto de 18 anos deveria ser o novo guitarrista do Red Hot Chilli Peppers. No ano seguinte (1989) o álbum Mother’s Milk era gravado, fazendo a banda entrar para o hall das maiores bandas do mundo.
O começo do quase-fim.

Depois de Sid Vicious, Ian Curtis e Kurt Cobain, o preceito live fast, die young pareceria destinado ao guitarrista. Turnês mundiais, rock e drogas atraÃam Frusciante, mas a fama não o fazia feliz. Na turnê do Blood Sugar Sex Magik ele se afasta com depressão e o dilema Kurt Cobain o ataca. O sucesso e o constante assédio dos fãs fizeram o guitarrista se isolar completamente. Ele não usou uma arma para acabar logo com a vida, mas de 1992 até 1997 as drogas quase o mataram diversas vezes. Nesse perÃodo nasceram dois álbuns, Niandra Lades and Usually Just a T-Shirt (1995) e Smile From The Streets You Hold (1997), os piores discos da carreira do artista. O segundo foi gravado para comprar drogas com o lucro das vendas. Anos mais tarde o guitarrista negou a si mesmo essas duas obras, pois representavam um passado obscuro que ele não gostaria que se repetisse.
Mente afetada e ainda em depressão, o final de 97 foi marcado pela decisão de largar as drogas. O ano de 98 começa com a fase da recuperação. Cirurgias de recuperação facial, substituição dos dentes que ameaçavam sua saúde devido a uma infecção letal, apoio moral e a ajuda dos amigos Flea e Anthony Kiedis reconstruÃram a vida do guitarrista. Kiedis até comprou uma guitarra para o músico voltar a tocar, pois ele havia vendido todas, até mesmo a própria casa.
1999 é gravado o álbum Californication, o maior da história da banda.
O retorno e a consolidação.

Com o RHCP, Frusciante lança By the way (2002) e Stadium Arcadium (2006).
Em 2001 John se dedica a gravar água por 10 dias. O quê? Assim foi chamado o álbum To Record Only Water For Ten Days, o começo da alavanca na carreira do músico. O álbum foi gravado paralelamente ao By the way.
Voltamos então ao ano de 2004, quando John Frusciante entra na minha vida e vira não só um músico a quem eu me decido a ouvir, JF virou um estilo de vida (se me permitirem falar assim). Além da banda Ataxia, projeto com Joe Lally e Josh Klinghoffer (um misto de experimentalismo, psicodelismo e outras viagens,) no último semestre daquele ano, aqui no Brasil não se comentava tanto, mas nascia uma das melhores coletâneas de discos que só 2 anos depois eu possuiria completa. Frusciante grava 6 álbuns épicos em carreira solo, um boom de criatividade que até hoje não vi se repetir com tamanha maestria e genialidade. Shadows Collide With People se tornou objeto de análise, músicos em todo o mundo estudavam suas canções e o youtube se encheu de vÃdeos com interpretações cover de Every Person e Ricky, duas incrÃveis canções. Assim como o álbum Curtains que carrega Anne e The Past Recedes, verdadeiros hinos.
- Shadows Collide With People
- The Will To Death
- The DC EP
- Inside Of Emptiness
- A Sphere In the Heart of Silence
- Curtains (lançado em 2005, mas como eu disse, gravado em 2004)
Esse último álbum citado foi onde John mostrou mais intensamente sua melancolia. Eu acredito que as mais belas canções são tão bem as mais tristes. E foi com sua voz em primeiro plano, violões e um piano que ele mostrou como fazer um álbum que merece ser citado com um dos melhores dessa década.
Durante seus quase 40 anos (completa 39 dia 5 de março desse ano), John foi músico, poeta e pintor. Suas canções contém um lirismo totalmente diferente do que ele faz no RHCP. Veja aqui suas canções traduzidas.
Você me leva pela mão
Uma mão é tudo o que eu sinto agora
Isso é tudo o que sou
Isso é tudo o que eu sou
Você acha que eu sou um homem
Eu imploro para diferir
Por eu ser ela mais do que eu sou eu
Você sabe que esse momento com o tempo
É a minha vida inteira
Todo dia é cada dia que é passado
Toda pessoa viva é todo mundo que está morto
Um navio distante
Está aqui se eu desenhá-lo
Multiplicando o tempo por deixá-lo seguir
Você pinta uma estrela
Você concedeu há muitos anos atrás
Vida nova e isso foi apreciado por isto
Você sabe que esse momento com o tempo
É a minha vida inteira
Todo dia é cada dia que é passado
Toda pessoa viva é todo mundo que está morto
Every Person (tradução)
John Frusciante
No fim desse mês sai o novo álbum, The Empyrean. Os álbuns de John chegam a ser completamente diferentes entre si. Não tenho idéia do que vem por aÃ. O cara que um dia gritou Life is so saaaaad, life is sooo saaad em uma canção ou:
à todos os homens:
Vocês não precisam de ninguém
Apenas aguentem firme até o final
E você não tem que mesmo que parecer estar bem
Ascension (trecho traduzido)
John Frusciante
Bem que ele poderia aparecer com o mesmo otimismo de outras canções: “I feel the hope running low”.
A seguir ouça uma por uma das 13 canções que eu selecionei para o álbum fictÃcio A melancolia de John Frusciante e o link para baixar o pacote com todas as músicas se encontra no final do post.

01 – The Past Recedes
02 – Anne
03 – Lever Pulled
04 – The Real
05 – Ricky
06 – Every Person
07 – A name

08 – Your Warning
09 – Time Tonight
10 – Song to sing when i’m lonely
11 – Back and forth
12 – Going inside (versão acústica)
13 – New dawn fades
Clique aqui para baixar todas as canções. No arquivo você pode ver de qual álbum eu retirei cada uma delas.
Sempre fui fã do RHCP, que conheci a partir do álbum Blood Sugar Sex Magic e sempre considerei JF o elemento mais criativo da banda. Porém não conhecia nada além da música. Belo post, muito informativo, obrigado!
[]’s
Compulsivo
Não é ele que canta em uma música do Tricky? É o único álbum dele que eu consigo ouvir… rs!
Ah não, eu lembrei de você escrevendo o post. Não me faça essa desfeita e escute “Time Tonight”
Excelente tópico. É sempre bom ver outras pessoas, com gostos similares aos nossos.
No entanto, tem umas coisinhas que você devia revisar:
Por exemplo, os dois primeiros albuns, o “Niandra Lades and Usually Just a T~shirt” – que na verdade é um album duplo, as 13 primeiras músicas constituem o Niandra Lades e as demais, Usually Just a T-shirt – e o “Smiles From the Streets You Hold” são sensacionais, mesmo que pouco (ou nada) convencionais. Extremamente intimistas e honestos, música visceral, mesmo que não audÃvel na maioria das vezes. São um trabalho sincero de um artista de contato com suas emoções e fragilidades, sendo o “Smiles” o preferido do próprio Frusciante.
Sim, não quis aprofundar pra não parecer uma mini-biografia. “Visceral” é uma perfeita expressão pra definir o Niandra Lades.
E também a série das canções Untitleds que não entraram no Niandra e foram para o Simles são verdadeiros devaneios. O Smiles é um dos álbuns mais tocados no LastFm, sem dúvida.
Como disse, o texto não pretendia ser uma biografia.
Obrigado por deixar sua opinião. Hoje ainda corrijo os apontamentos sobre o álbum.
pô gente o John é fodão, ele é um dos melhores guitarristas do mundo, eu tenho uma foto no orkut dos melhores, e qm esta lá, claro JOhn frusciante e sua turma composta por Jimmy page, zack wylde, tom morello é também um dos meus ìdolos Slash!
entra lá pessoal e conferi, meu orkut é jonnyfrusciante@hotmail.com a senha:**********
rsrs
ñ mas é serio pessoal add eu lá e vejam a foto,
Muito bom mesmo. Adoro o trabalho dele, e a criatividade dele fascina-me! Até a voz dele se torna especial, diferente de todas as que já ouvi.. Não considero o seus dois primeiros albuns horrÃveis nem nada que se pareça, simplesmente para quem não conhece o percurso da sua vida achem que, talvez sejam sim, dificeis de ouvir! Para mim os albuns desse tempo, apenas refletem o que ele estava a passar,e sim, gosto de o ouvir. Sei que ele sente uma certa “vergonha”, se é que se pode dizer isso, pelo seu segundo album, mas na minha opinião, é uma das coisas mais puras que ouvi..
John Frusciante é um estilo de vida, uma maneira de viver. Ele reúne toda inspiração, talento, poesia numa só pessoa.
Livre e maluco no palco…. Quanto mais, melhor….. Amo, amo, amo…
John Frusciante é um estilo de vida, uma maneira de viver. Ele reúne toda inspiração, talento, poesia numa só pessoa.
Livre e maluco no palco…. Quanto mais, melhor….. Amo, amo, amo
Eu simplesmente adoro John Frusciante!ele é d+.tão sensivel e tão talentoso.é maravilhoso poder ouvir suas músicas e fazer parte de uma certa forma de tudo que ele representa para o mundo da música e da arte em geral.uma pessoa que já sofreu muito e que conseguiu enfim canalizar suas tristezas e experiências para o ato maravilhoso de fazer musica.vida longa a John e muita paz pra esse que sempre vai ser um dos melhores guitarristas que já passaram por aqui!
Eu simplesmente adoro John Frusciante!ele é d+.muito sensivel e muito talentoso.é muito bom poder ouvir sua musica e assim fazer parte da vida dele de uma certa forma.ele é uma pessoa muito especial que já sofreu muito mas enfim conseguiu canalizar suas tristezas e experiências para o ato maravilhoso de fazer musica.adoro seu trabalho no red hot mas sou completamente apaixonada por seu trabalho solo!que artista é esse?!rsrsrs.sem dúvida um dos melhores e mais completos que já vi!vida longa a John e muita paz na sua vida pra que ele continue nos enchendo de alegria e de orgulho pelo seu maior prazer que por consequencia tbm é seu trabalho:fazer música!