May 31

…meu aniversário.

Não importa minha idade [sem querer ser arrogante].

Tá, eu sou mais novo do que parece e com a cabeça mais velha do que eu gostaria. Viva… :part:

[ligar modo "diário de adolescente", eca]:

Estranho, são 03:44, ainda tenho um dia inteiro pela frente e eu já quero que tudo isso acabe. Não nasci para aniversários. A noite anterior foi compensada por uma hora perto de alguém que eu realmente queria estar mais perto. Eu posso dar a dica aqui, mas nem sempre é como a gente quer. Duuuh, chega de falar de mim, bye!

Atualização 01/06/08:

Meu dia terminou…Foi ótimo e obrigado aos parabéns pelo orkut, quem não viu o link que eu deixei, perdeu.

:(

Fui.

postado por [barba] Uonderias

Mar 17

Eu era criativo. Falava, discorria, dissertava. Era tudo caprichado. As linhas preenchiam ao mesmo tempo a folha e a mim. As palavras me davam a energia e o ânimo que eu precisava até mesmo para continuar escrevendo e preencher cada vez mais e mais minha vida. O coração pulsava num ritmo tão acelerado quanto o rabiscar da folha em branco ou o bater dos dedos nas teclas. Às vezes acordava desesperado em plena duas e quinze da madrugada para anotar uma idéia qualquer. Quando esquecia o que ia anotar, tratava logo de pensar em algo, pois nada justificava um salto da cama, a não ser escrever. Eu odiava ter que dormir sem registrar meu dia numa folha. Tive poucos diários, mas muito bem usados.

Meus textos eram extensos, pelo menos eu os considerava assim. Tinham densidade, lirismo - como disse - pelo menos eu os considerava assim.

Eu executava um ritual tão metódico: sentar (ou deitar), música clássica, lápis 6B, caderno comum e mil e uma idéias. Ás vezes terminava um texto ou um poema e no final não sabia explicar o que quis dizer. Simplesmente estava escrito e pronto. Certa vez li um texto sobre o escritor Paul Valéry, o qual afirmava que muitas vezes o escritor não explicava o quis dizer em determinado poema ou texto. Valéry apenas respondia que não quis dizer, mas sim fazer. A intenção de fazer é que dizia o que ele queria expressar.

É quase assim comigo, não em todas às vezes, só vez ou outra. Comecei a escrever essa crônica acreditando que a internet havia quebrado a minha rotina e prejudicado a qualidade dos meus textos. Fico com um pé atrás sempre que me vejo digitando “vc” ou coisas desse tipo. Com três anos de orkut já esqueci como escrever muitas palavras não tão usuais. Não quero imaginar como será daqui a dez ou vinte anos, quando começarem a surgir os primeiros livros escritos em linguagem de internet. Será o fim da gramática, da boa escrita ou será o início da preguiça mental? E quando da escrita passar para a fala? Questão de tempo ou questão de escolha? Eu não sei responder. Você sabe?

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Jan 26

Eu sou um “coisista”. Passei, depois de tanta cobrança, a não me considerar bom nas coisas que faço. Em geral sou mesmo um bom “coisista” – sujeitinho que tenta fazer de tudo. Muita gente está no meu pé discutindo comigo essa questão da humildade e da modéstia. Humildade é uma coisa que eu posso até ter, sabe, em uma zona morta do meu cérebro. Já modéstia não, sinto muito, não sou nada modesto, afinal nunca ganhei nada sendo assim e se perdi, foi algo que não fez diferença alguma em minha vida.

Acredito que não saberia viver em um lugar parado, um lugar rotineiro, monótono. Sou da cidade, sempre fui. Gosto de prédios, carros, motos, poluição sonora. Sou citadino ao extremo. Gosto de sair da aula por volta das nove e uns quebrados da noite apenas pra sentir o vazio das ruas depois de um dia inteiro de funcionamento das lojas, das barracas, dos frigoríficos, das bancas de revista, dos colégios. Gosto de ouvir o aglomerado de sons diferentes que se passa no meio do trânsito. Gosto de ir tomar café às pressas pra voltar à aula e, se a vontade for maior do que a força em minhas pernas, gosto de passar em um sebo de livros usados e sentir o cheiro da poeira e do ácaro daquelas folhas que estão ali há anos, mesmo que isso me custe uma semana ou duas com crise alérgica.

Eu me apaixono toda semana, mudo meu sobrenome todos os dias. Tenho um sério problema de memória. É muito comum, pelo menos no meu caso, acordar pela manhã e não saber que dia é.

Desde quando passei a observar o que acontece ao meu redor, de perceber as situações inusitadas do cotidiano, meus sentidos parecem mais aguçados. Consigo descrever o que vejo com muito mais facilidade. Posso colocar no papel acontecimentos em minha vida e transformá-los em situações universais, problemas que afetam todo e qualquer tipo de pessoa. A cidade parecer ter notado o meu avanço. Arriscando um tom poético eu diria que a cidade parece corresponder ao que sinto. Nunca consegui explicar todas às vezes que me pego com baixo-astral, com baixa auto-estima, ou até mesmo infeliz e por coincidência está chovendo. Ou quando recebo uma notícia boa, quando me alegro por um amigo que ligou pra dar um sinal de vida e lá está o tempo limpo, perfeito, o céu, as nuvens, tudo em harmonia com meu corpo e com minha mente.

Não são raras também as vezes que as estrelas sumiram à noite quando não consegui me concentrar para escrever ou compor. Ultimamente tenho me encontrado em paz de espírito (se é que isso existe), tenho aproveitado os momentos bons e os momentos certos, mesmo que durem pouco. E vocês notaram aquele dia que fez um calor danado? Só pode ser esse sol, cada vez mais forte.

06.06.06

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Jun 26


As luzes, nessa época do ano, costumam variar entre azul, amarelo, verde e vermelho. Os meninos? Esses são muitos, em geral andam sempre acompanhados: mãe, pai, irmão, irmã, babá. Apenas aquele cujos olhos cruzaram os meus não parecia ter acompanhante. Um negrinho desses que se encontra em sinais de trânsito. Calça um tanto desbotada, camisa e chinelos velhos. Devia ter seus dez ou onze anos de idade. Caminhava entre as pessoas como quem não é notado, mas não totalmente. Eu o fitava.
Acredito que ele não estava ali para pedir esmolas ou até mesmo roubar; furtar um objeto qualquer de uma loja. Parecia assustado e, em outros momentos, deslumbrado, principalmente após ter encontrado o que, suponho, estava a procurar: cercado de várias crianças, lá estava o Papai Noel do shopping. O negrinho permaneceu pelo menos dez minutos imóvel.
O funcionário vestido naquela roupa vermelha até que sabia como tratar as crianças, uma vez que todas elas eram de classe média e alta. Por alguns instantes, outra pessoa notou a presença do negrinho, o próprio Papai Noel do shopping. Vi a dor nos olhos do velho que se compadeceu com o menino, fazendo-me sentir o mesmo. Porém o velho e eu éramos incapazes de uma aproximação direta do menino. Cada um impossibilitado pelo preconceito que criou.

p.s: sem tempo pra me dedicar e/ou escrever, grato!

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